21 setembro 2010

Acho.

Acho que foste para nunca mais voltares. Acho que o futuro não nos quer. Acho que sou cobarde, insegura, racional quando não devo e emocional quando isso não faz falta. Acho que não sei nada do que julgo saber. Acho que rodopio conforme a direcção do vento. Acho que dou quedas como da Lua até cá. Acho que me enganaste. Acho que falhaste, depois de teres estado mesmo quase a acertar. Acho que nunca nada vai mudar. Acho que acabou. Acho que foi o fim.

Mas por enquanto, só por enquanto, a porta ainda está aberta.

16 setembro 2010

For you.

Há muito e muito a dizer, e é por isso mesmo que prefiro deixar apenas as palavras mais essenciais. Que lá estejas e que estejas como te conheço - meu, completo, indescritível em tudo o que és, no tanto que dizes e no muito que fazes. Que Deus tome conta de ti e de mim. Que a história se faça para sempre no dia que se avizinha. E que, no fim, não me arrependa de não ter deixado morrer este assunto no dia em que a morte dele foi declarada.

23 agosto 2010

Quem sabe.

Um nó no estômago, uma mão invisível a apertar o pescoço, e outro nó na garganta. E ainda mais um nó na cabeça e um aperto no peito. Olhos que fazem força, tanta força, para se manterem firmes e alegres em frente às tempestades.

É medo, é tristeza, é nervoso, é angústia, é insegurança, é ignorância. Mas também é expectativa. Da boa. E optimismo, e esperança, e vontade, e uma série de impossibilidades que até parecem possíveis se não se pensar muito tempo sobre elas.

E é assim que os nós espalhados por todo o lado, e os apertos, se alargam um pouco. E tornam-se nós dos bons. E apertinhos agradáveis. O medo vai, a tristeza esconde-se, o nervoso aumenta, a angústia muda, a insegurança transforma-se em descaramento disfarçado de coragem, e a ignorância é um mal a vencer com o tempo. E a expectativa só aumenta. E o optimismo tem de ficar, e a esperança é o que nos move, e a vontade nem se descreve.

E o que é impossível talvez não o seja.

Quem sabe.

10 agosto 2010

Bilhete.

Se por acaso por aqui passares, quero que saibas que neste momento a tua ausência, a nossa ausência, me está a doer muito, muito, muito. Que é um vazio tremendo que de repente se agarra a mim, colado e sem forma de ser afastado. Sinto-me mal. Não sei como, no fim de contas, tudo pôde acabar assim. Como tanto ficou em tão pouco. Em nada. Em menos que nada. Saldo negativo.

Que final foi este? Que final foi o nosso?? Há tanto que devia ter sido dito e feito, há uma história que não escrevemos. E agora sinto-me como se estivesse numa jangada que navega mais, e mais, e mais para longe da ilha. E eu sem remos ou forças para a aproximar. Tudo fica distante. Tudo me escapa. Tudo foge por entre os meus dedos. Tudo é cada vez mais definitivo, último, impossível e inalcançável. E não há nada que eu possa fazer...

22 julho 2010

The end #2

Log off. Log out. Terminar sessão. Desligar.
A carga pronta e metida nos contentores.
Over and out...

17 julho 2010

The end.

Um espaço que era meu, tão meu, tão nosso. Tão vivo. E que morreu de repente. E ali está... Escuro, parado, inerte. Como se nunca nada ali se tivesse passado, entre paredes que têm tanto que contar. Não há ali a memória dos bons momentos, do movimento, das gargalhadas, da profissão, dos nervos, de tudo o que ali se viveu, se disse, se fez, se sentiu. Fervilhava de energia e de repente sinto-o como o sítio mais calmo e silencioso do mundo. E é um vazio tão grande, cá dentro. É uma coisa que se sente e que não tem nome. É tristeza, é vazio, é nostalgia, é tudo. E dói, cá no sítio mais fundo. Porque não era assim que tinha de ser, porque a morte daquele espaço é só uma parte da morte de algo muito maior, porque aquelas luzes desligadas são uma parte de mim que foi desligada, também. Apagou-se a luz daquele sítio tão nosso e apagou-se também uma luz cá dentro. Apagou-se para sempre e há um milhão de coisas que não voltam mais. Odeio e expressão "nunca mais". Odeio a ideia, profundamente. Morreu a luz, morreu o espaço, morreu a rádio, e com ela morreram rotinas e companhias e afazeres e dinâmicas e, pior que tudo, momentos. Agora já não se vive nada disso, nem voltará jamais a viver-se - só resta contar a história sem verbos no presente. O futuro é outro. E o que mais dói, aqui, chama-se passado.

E é uma dor terrível.

18 junho 2010

Carapaça.

Se não se importam, dêem-me só um momento... Preciso de ir ali buscar a carapaça, e, diga-se, com uma certa urgência. Não me demoro! Aliás, não posso mesmo demorar - é cada vez mais informação e preciso que ela comece a fazer ricochete o quanto antes. Não quero ser atingida mais do que já fui. Por mim já tenho a minha conta, obrigada! Chega de coisas a virem que nem um tiro na minha direcção e a caírem que nem pedras sobre mim. Preciso de me proteger, por uma questão básica de sobrevivência da minha sanidade. Estou perfeitamente soterrada de contraditórios, cada um pior que o outro, e não é um quadro nada bonito. Por isso, não me levem a mal mas vou só ali, num instante, munir-me da dita carapaça. É que já a devia ter posto há uns meses atrás...

06 junho 2010

...

Sinto-me tão apertada dentro de mim. Como se o corpo não me servisse.

05 junho 2010

Lógica do espelho

Não sei se auras, energias e esse tipo de coisas são ou não ideias de fiar. Mas certo, certo é que dia após dia mais me convenço de que é assim a mecânica: boas energias espelham-se nos outros e reflectem-se novamente sobre nós.

Karma.

O que transmitimos é o que os outros recebem, e, assim sendo, é o que volta até nós. A nossa alegria alegra-nos a nós mesmos. Por vezes, só há uma maneira de ganharmos energias positivas, e de as absorvermos: primeiro, temos de as deitar cá para fora, pousando-as nas mãos de quem está por perto; depois, regressam a nós novamente, com um fôlego renovado pelas energias dos outros. Há momentos em que só (sobre)vivemos graças ao reflexo que temos em quem está à nossa volta. Graças ao espelho de nós.

O que damos é o que recebemos. As simple as that.

28 maio 2010

Pessoas.

Acho que hoje em dia as pessoas são mais claras para mim do que alguma vez foram. Sinto que as entendo como nunca. Vejo-as transparentes.

Só que, curiosamente, nem por isso a vida é mais fácil.