29 outubro 2012

Futuro.


Jazz de fundo. Soul pelo meio. Noite, luzes, janelas, o mundo lá fora e sede dele em mim. Tanto para ser, para sentir, para descobrir, para viver. Mas, por agora, serenidade do lado de dentro da sala e de mim. O fresco quase frio e a imaginação rápida, rápida, cada vez mais rápida, cada vez lá mais alto. Um oceano pelo meio que, em sonhos, é menos que uma gota da chuva que cai lá fora. Estou aqui e estou lá, a rua para que olho é a minha mas afinal já não é – já é outra, completamente diferente. Palpitante, nova, que me abraça e onde respiro, finalmente, fundo. Fundo como nunca respirei. Um copo de vinho na mão, a noite a cair tranquila, cosmopolita, e o futuro ali tão perto. Olhos postos nele. Porque o primeiro dia do resto da minha vida pode muito bem estar a chegar.

Ao som do jazz.

24 outubro 2012

Simples.

('Play', por favor. Banda sonora para o instante que se segue:)

People Will Say We're in Love by Stacey Kent on Grooveshark

Não há palavras para o bem que nos faz o bem dos outros. Sobretudo quando os outros são metade de nós. Sobretudo quando os outros são, na verdade, um, um só, à volta de quem o nosso mundo gira por tantos e tantos motivos.

Quando do outro lado se flutua, deste lado os pés já não tocam o chão. Quando do outro lado há sorrisos, deste há esperanças. Quando do outro lado há desejos, deste há certezas. Há confiança, apoio, quentinho no coração. E fé no futuro, seja ele como for.

Quando do outro lado se conquista, é como se deste também se conquistasse. E, mais certo do que tudo isto... Quando do outro lado se sonha, deste sonha-se tanto ou mais.

O Amor é assim. Do outro lado e deste. Ataca de um lado. Tem efeitos secundários do outro.

Gosto de ti.
:)

17 outubro 2012

Das saudades.

Luzes acesas no corredor e nas ruas de sempre. Tinha saudades de sair do trabalho-feito-casa com o dia quase feito noite cá fora. Porque a casa é mais casa ainda quando as horas, a luz e a temperatura se aproximam das recordações mais saborosas.

Tinha saudades da chuva à tarde, a tarde e quase más horas, noite dentro, noite fora.

09 outubro 2012

O karma.



Dar e receber. Na mesma medida. Efeito boomerang. Recebes o que dás na mesma quantia ou multiplicado. Tudo isso, essas coisas todas. Muito bonitinho.

Parece charopada. Eu sei. (Por outro lado, não sei por que é que usei o termo "charopada", palavra que nunca me lembro de ter dito ou escrito. Mas assenta bem aqui, parece-me.) Charopada ou não, pasme-se... É verdade. Resulta. Mesmo. Para o bom e para o mau. Quem dá bom, recebe-o; quem dá mal, não espere o bem. Por mais que de um lado se queira e do outro se tente.

Simples.

25 setembro 2012

23 setembro 2012

(À falta de tudo o resto, ainda me ajudas a escrever umas linhas)

Por uma vez soube que as minhas pedras da calçada eram as tuas, por uma vez soube-nos os passos iguais, soube-nos os metros tão escassos, por uma vez os meus pés caminharam decididos para ti sem nada importar, sem recuos, medos, arrependimentos de última hora ou bloqueios incontroláveis. Por uma vez fui ao teu encontro como se isso não importasse minimamente. E fi-lo precisamente por isso: porque não importa - já não importa. Porque agora o prazer retorcido é meu, porque agora o jogo mudou, o tabuleiro girou e já nada é igual. Fui ao teu encontro precisamente por saber que já não fazia mal. Que encarar-te iria fazer-te mais mal a ti do que a mim. Sei bem a cara que farias; sei bem dos teus fingimentos. Mas precisava de dar de caras contigo. Não pela necessidade de te ver. Não. Era, sim, para provar a mim mesma que o ciclo se fechou, que o mal que me fizeste já não dói. Por isso sei que naquela tarde os meus passos foram os passos certos. Para mim e por mim. Só. No fim de contas, não te vi. Mas soube-te ali, a ti, às tuas conquistas, ao que em tempos prometeste partilhar, e isso foi suficiente. Podia esbarrar em ti. Nada em mim ia mexer. Percebi que, inconscientemente, precisava de dar a mim mesma essa prova. Sabes que mais? Passei. Com louvor e distinção. Podes aparecer-me à frente de todas as formas e em quaisquer circunstâncias. Estou preparadíssima para ti. Já não te sinto. Já não me fazes mal. Já não me fazes nada.

18 setembro 2012

Dos amores.

Apaixonam-se e desapaixonam-se. Há sempre formas diferentes de lidar com os amores dos outros. Desde logo, começa tudo pela forma como nos envolvemos neles – nos amores e nos outros. Depende da história, da posição, do momento, de quem eles são e de quem nós somos, de quem pertence a quem, de um sem-fim de porquês e de quandos e de comos.

Certo, certo é que a nossa vida também se faz desta matéria(-prima). Dos amores e desamores que pairam em redor – os que começam, os que terminam, os que bloqueiam, os serenos, os desalmados, os complicados, os lineares. Os sem fim e os sem princípio. Os das promessas cumpridas e os das mentiras contadas. Os nossos, os dos outros, os de sempre, os de nunca, os próximos, os afastados. Os que quase nos passam ao lado. Os que nem nos tocam. E os que nos trespassam. Para o mal... e para o bem.

[E que isto fique como prólogo. Porque, um dia destes, há mais.]

17 setembro 2012

Desde 17 de Setembro de 1999.

É só para dizer que passaram treze anos. A data nunca fica em branco mas hoje decidi deixar-te umas linhas. Porque a vida deu mil voltas. E porque, entretanto, foram muitos encontros, outros tantos desencontros e a medida certa de encontrões, entre coincidências e palavras certas nos momentos certos pela pessoa certa. Tu. Passou-se de tudo e tu estavas lá. Às vezes de propósito, noutras sem sequer saberes da tua presença ali. Aqui. Cá. Comigo. Sempre.

Mas estavas lá. De uma forma ou de outra, vestindo uma ou outra pele para ti e para mim, estavas, estiveste, continuas a estar e estarás sempre.

Aqui. Cá dentro.

29 agosto 2012

Moral.

Bocas cheias de justiça, a apregoá-la aos sete ventos. Bocas essas que, curiosamente, estão coladas a mãos sujas - imundas - do mal que fizeram e fazem aos outros.

Princípios - zero. Valores - zero. Honestidade - zero.

Loucura, insanidade. Maldade. Justiça? Nenhuma, para desgraça de quem está à volta.

Mas, voltando ao início, grita-se por ela. Como se fosse verdade, como se fizesse sentido.

Há gente que, de facto, não-se-enxerga.


"He's as blind as he can be,
Just sees what he wants to see"

27 julho 2012

Cinco anos de Julho.

Quem me conhece minimamente bem sabe que datas são coisa que me diz pouco. Não me custam nem me alegram muito mais do que outro dia qualquer.

Por isso, este texto não é sobre datas. Nem sobre efemérides. É só sobre coincidências. Sobre o momento em que, em pleno processo criativo para algo que nada tem a ver com isto, poucos segundos de uma espécie de distracção bastaram para que percebesse o tamanho que Julho tem na minha vida. Por isto, por aquilo. Pelos cinco, pelos quatro, pelos três, pelos dois anos que passaram desde que. Só assim: desde que.

Desde que, há cinco anos, o meu mundo se virou ao contrário para nunca mais voltar ao mesmo sítio. E olhar para essa data mostra que os meus pólos continuam a ser os mesmos. Os suportes que, por vezes sem saberem, sempre me mantiveram de pé, pronta para tudo o que a vida me desse, não mudaram. Não saíram.

Desde que, há quatro anos, nova volta se deu e com ela se deu também o começo da vida insane, agitada, deliciosa, inesquecível, toda ela gente, sensações, momentos, projectos, e, no fundo, inaugurada da única forma que poderia fazer sentido.

Desde que, há três anos, entravam pela porta ainda aberta pedaços do passado em forma de gente, num corropio de reencontros e de palavras que ficavam no ar.

Desde que, há dois anos, a mesma porta se fechou na minha cara e com um estrondo que ainda hoje ecoa nos meus ouvidos.

Ao fim de cinco anos, a ausência continua presente. Quatro anos mais tarde, a história repetiu-se e não sei deixar de pensar nas reviravoltas do entretanto. Três anos volvidos, os reencontros voltaram a acontecer. Dois anos depois, a porta reabriu-se. Do lado de cá, ainda não decidi se tudo mudou ou se está tudo na mesma. Sei apenas que me parece que nunca estive do lado de lá.

Mês sete. Trinta e um dias. Se a vida fosse feita de números, não tenho dúvidas de que nove décimos da minha aconteceram em Julho.